sábado, 2 de março de 2013

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XXI


4.3.- Construção da Capela.

 

É evidente que, depois de termos construído a primeira escola, também surgiu a ideia da construção da casa de Deus, a capela ou Igreja.

 Tentou-se, primeiro, um entendimento entre a colônia vizinha, São Bento, ambas ainda pequenas, para unirem-se e construir a capela que viesse a servir a ambas as povoações. Também S. Bento endossava a ideia dessa união. Vieram às reuniões de ambas as partes, quando se discutiu a localização da capela. Começou o jogo de empurra para cá, empurra para lá, ou o de puxar para cá e puxar para lá. São Bento cedeu até ao local onde hoje mora Germano Warmling além do rio S. Bento e Forquilhinha até ao local onde reside Vericundo Tiscoski, na margem direita do rio Mãe Luzia. A distância entre os dois locais não ultrapassava dois quilômetros. Nenhuma parte cedeu e malograram todos os entendimentos. O malogro gerou certa rivalidade entre as duas colônias irmãs e se arrastou por muitas décadas. Presentemente a rivalidade se extinguiu quase por completo e, acreditamos, de parte a parte, todos bendizem o desacerto.

Frustrados assim os entendimentos para a capela em comum e dispondo a nossa colônia de uma área de terras de cerca de 1O ha, doado por João José Back, na margem esquerda do rio Mãe Luzia, área esta destinada para a escola e para a capela, onde fora já edificada a escola decidiu-se a construção da capela no referido terreno, que oferecia ótimas condições topográficas, apresentando relevo bem acentuado e afastado mais de duzentos metros da estrada geral de Criciúma a Araranguá, hoje a rua principal, a Avenida 25 de Julho. Na extrema da parte sul se escolheu o local para edificar a primeira capela.

Durante os anos de 1917 a 1919, Forquilhinha tinha recebido considerável acréscimo de novos moradores. Eram estes os dois irmãos Davi e Joaquim Junkes, os três irmãos Bernardo, Antônio e José Eyng, os dois irmãos Nicolau e João Preis, aquele com os dois filhos Antônio e Leopoldo, os três irmãos Evaldo, Edmundo e Francisco Hoepers, os dois irmãos Jorge e José Steiner, Frederico Oderdenge, Gabriel Westrup, José Sehnem e Paulo Hahmann, Felipe Boeing, Antônio Heerdt, Pedro João Loch, Francisco Back, João Kurtz Sênior e João Kurtz Filho, Carlos Kühlkamp, o Matias Back, com as respectivas famílias.

Reforçado assim o número de moradores, a animação cresceu rapidamente, No ano de 1919, de posse de duas plantas para a construção da capela, uma pequena e a outra maior, como sempre, em tais circunstâncias, havia opiniões divergentes quanto ao tamanho da capela e

outras particularidades. Os moradores de Forquilhinha, numa reunião, elegeram três pessoas para serem os administradores da construção. Foram escolhidos Gabriel Arns, Frederico Oderdenge e Bernardo Kestering.

As divergências de opiniões quanto ao tamanho da capela já tinham contagiado a todos, de ambos os lados, a ponto que dois dos administradores já eram de parecer de construir a capela menor. Numa reunião, que Gabriel Arns presidia, pôs ambas as plantas da capela à vista de todos e, com a sua peculiar habilidade em tais momentos, combinou com antecedência com as pessoas das quais tinha certeza de terem a mesma opinião como a sua, sentarem-se juntos. Aberta a sessão expôs aos presentes os prós e contras de uma e de outra planta. Posta em discussão houve impetuosos debates. Finalmente, foram para a votação que se fez nominalmente, começando pela turma que optava pela planta da igreja maior. Como estes votavam "a maior", os indecisos assim também se manifestaram, ficando menor o número de pessoas que votaram "a menor".

Vencedores e vencidos, em gesto bem democrático, puseram mãos à obra. As pedras para os alicerces foram carregadas todas do terreno de Bernardo Warmling, a areia tirada nas praias do rio, a madeira tirada das diversas propriedades franqueada e serrada a braço, os tijolos feitos perto do local da construção, a cal transportada em carro de boi desde Pontão, nas imediações de Jaguaruna. Para o telhado bastante inclinado da capela, que obedecia um tanto o estilo gótico, não podiam ser usadas as telhas que por aqui existiam, devido a seu declive acentuado; comprou-se máquina com a qual se faziam telhas planas de cimento e areia.

Com o material já bastante pronto, veio de Nova Veneza o pedreiro Luís Bratti com outros para construírem a capela. Desde o início dos debates para a planta maior, já ficara entendido que se construiria só a nave da igreja e no arco da entrada para o presbitério se fecharia com tijolos sem armação com as paredes que formavam o arco, para que facilmente se pudesse removê-los sem prejudicar as paredes, quando no futuro se pretendesse construir o presbitério.

A nave primitiva da igreja tinha 16 por 25 m de dimensões, com duas portas laterais e a porta principal da entrada no centro. Anexada à parede da porta principal, se erguia a torre de 25m de altura. A direita da porta de entrada ficava a escada que dava para o coro, sustentado por

duas colunas com vigas de madeira, uma apoiando-se sobre as colunas, e entre si ligadas até as paredes laterais.

Com os parcos recursos e com todas as dificuldades que sobrevieram, os nossos colonos não desanimaram, e, no fim do ano de 1920, a igreja estava quase pronta, faltando apenas o assoalho e outros trabalhos de pouca monta.

Todo o serviço de carpintaria foi executado pelo alemão Karl Volkmann, um dos integrantes da imigração de Anitápolis no começo deste século. Era carpinteiro hábil que levou a bom termo a difícil armação para a coberta e a arcada da abóbada.

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XX


4.2.- À Procura do Menino Jesus.

 

É bastante conhecido o fato histórico, relatado na Bíblia Sagrada, dos três Reis Magos, que se puseram a caminho do Extremo Oriente, guiados por estrela misteriosa a indicar-lhes algo de extraordinário, o nascimento do Filho de Deus em qualquer parte do mundo. Obedecendo ao caminho mostrado pela inexplicável estrela, chegaram a Jerusalém, onde a estrela-guia desapareceu repentinamente. Indagando então junto a pessoas competentes onde nascera o que Menino, o Rei dos judeus, a estranha investigação causou a Herodes e a toda a população de Jerusalém grande assombro. Reuniu o rei Herodes os letrados e estes verificaram, segundo a profecia, que devia ser em Belém. Os Reis Magos prosseguiram o caminho rumo a Belém, e novamente lhes apareceu a estrela misteriosa e os guiou à cidade procurada e parou sobre o local onde se encontrava o Menino Jesus. Entraram na casa e encontraram o Menino com Maria, sua mãe, e o adoraram e presentearam-no. Quanto penoso, cheio de sacrifícios de toda espécie lhes apresentou tão longa viagem, cheia de ilusões; porém, a Sagrada Escritura conta que se achavam extremamente felizes ao encontrarem o Menino Jesus.

Um fato na história de Forquilhinha se assemelha, em parte, a busca do Menino Jesus pelos Reis Magos. Até os primeiros dias do mês de janeiro de 1919, o professor Jacó Arns tinha preparado um grupo de adolescentes, de ambos os sexos, 22 ao todo, para a primeira comunhão.

Até esta data por falta de sacerdotes e mesmo de um local, capela, para esta festividade, ainda não fora dada a oportunidade e a felicidade deste ato religioso, embora um deles já contasse com a idade de 17 anos. O professor entrou em contato com o Vigário e as Irmãs de São Ludgero e combinaram levar até lá o grupo de jovens, onde receberiam os últimos retoques de conhecimentos necessários para serem admitidos à primeira comunhão. Tendo ajustado, partiram daqui o professor Jacó Arns, Lieschen Sehnem Hoepers, Adélia Arns, Maria Steiner com o grupo dos 22 jovens, com cargueiros, levando roupas, víveres e animais de montaria para o pessoal da excursão. Houve um caso em que três irmãos, Adolfo, Paulo e Valentina Schneider: tinham um só animal disponível para os três irmãos montarem, se bem que já eram bastante crescidos, de 17, 15 e 14 anos. A grande maioria seguiu a dois para um animal de montaria.

Não se pode ter ideia exata de quanto representava em sofrimentos e sacrifícios para os nossos jovens cavaleiros tão mal acomodados, nos longos e quentes dias do mês de janeiro, partindo daqui e seguindo o itinerário por; Criciúma, Urussanga, Rancho dos Bugres, Azambuja, Pedras Grandes, Barra do Norte, onde pernoitaram, seguindo no dia imediato até São Ludgero, ao todo acima de 100 km. As pessoas que acompanharam a caravana, tinham a incumbência de atender os jovens em lugar das respectivas mães, que não puderam acompanhá-los.

Lá chegando, foram bem recebidos e agasalhados, participando das últimas instruções, e no dia 26 de janeiro de 1919 foram solenemente recebidos à primeira comunhão. Junto aos 22 jovens mais um menino de 9 anos de idade, Bernardo Philipi de São Ludgero, que estava de partida para o seminário de São Leopoldo, compartilhou das festividades. Era este menino o conhecidíssimo cônego Bernardo Philipi, capelão nos últimos tempos no Hospital São José de Criciúma.

Com muita antecedência o padre Cônego Bernardo Philipi entrou em contacto com pessoas que ainda residem em Forquilhinha e tomaram parte da primeira comunhão de 26 de janeiro de 1919, para reunir todos os sobreviventes e festejar no dia 26 de janeiro de 1969 o cinquentenário da primeira comunhão.

Tudo estava encaminhado para este invulgar cinquentenário, quando o Cônego foi acometido da terrível doença, a leucemia, que pôs rapidamente fim a sua preciosa vida. Já no leito de morte, nos últimos dias de vida, disse a

um dos companheiros da primeira comunhão, o companheiro de fila, Arnoldo Preis, que deviam continuar a promover este raro cinquentenário e, como ele não mais poderia estar presente, fizessem os festejos em Forquilhinha e não em Criciúma, como fora inicialmente previsto, que ele lá do céu tomaria parte nas solenidades que promovessem e que, caso alguém, dos companheiros tivesse um pedido, uma súplica, se dirigissem a ele lá no céu; pois, ele intercederia junto a Deus.

Realmente o Cônego Bernardo Philipi faleceu santamente no dia 5 de dezembro de 1968, não conseguindo sobreviver ao dia do cinquentenário e seus restos mortais foram levados e enterrados em seu torrão natal, em São Ludgero.

Os sobreviventes que residem em Forquilhinha, principalmente Arnoldo Preis e Delfina Arns Steiner se deram os melhores dos esforços para reunirem o maior número de jubilandos; porém, muitos já faleceram, outros residem muito distantes e o comparecimento se tornou impossível e finalmente há os cujo paradeiro nem mais se conhece nem se ainda contam entre os vivos.

Compareceram às solenidades, que constou de missa em ação de graças e uma mesada de bolos, doces e café: uma de Nova Veneza, Dona Helena Backes; um do Rio do Cedro, Adolfo Schneider e quatro de Forquilhinha, os dois promotores da festa e as viúvas Catarina Back e Maria Sehnem. Presidiu a comemoração do dia junto à mesa oferecida, Amoldo Preis, que homenageando os falecidos companheiros, citou as recomendações do recém-falecido Cônego Bernardo Philipi e propôs um minuto de silêncio em memória dos companheiros já falecidos, que todos atenderam de pé. A seguir agradeceu em nome de todos a Dona Adélia Arns Back, a única presente das pessoas que acompanharam a caravana, a fim de atender as crianças em todas as suas necessidades que surgissem, na distribuição das roupas, quando se tornava necessário mudá-las, no refeitório e no dormitório, dizendo que de fato, embora então ainda moça solteira, os atendeu com verdadeiro espírito de mãe carinhosa em todas as vicissitudes.

Dando continuidade à comemoração do cinquentenário, franqueou a palavra a quem dela quisesse fazer uso. Pediu a palavra em primeiro lugar a irmã Beatriz Sehnem, fazendo companhia a sua irmã Maria Sehnem, dizendo do prazer e satisfação em tomar parte numa comemoração tão invulgar, tão rara, porém com muita propriedade. Por último ainda falou Adolfo Back, convidado de honra, que também assistiu à festa da primeira comunhão em São Ludgero, dizendo que a ideia de festejar o cinquentenário da primeira comunhão fora muito feliz, que os participantes desta comemoração certamente se lembravam durante a missa desta manhã, lembram-se no momento e lembrarão no futuro este dia e todos os companheiros da jornada, todas as pessoas, que de um ou de outro modo contribuíram para a realização deste evento, mas que, de modo todo especial deviam recordar de duas pessoas que participaram destes acontecimentos, o Cônego Bernardo Philipi, idealizador desta festividade e que não pôde tomar parte ativa, pois que Deus o chamou há muito pouco tempo antes da data aprazada para esta comemoração, e por último do professor Jacó Arns, que tudo idealizou, tudo realizou, tudo fez para que se concretizasse dia 26 de janeiro de 1919, e, portanto, merecedor de nossa gratidão, estima reconhecimento.

Finalizando os festejos, os presentes ainda cantaram diversos cantos, entre estes cantos "Fest soll mein Taufbund immer stehen" na melodia como cantaram no dia da primeira comunhão; pois, atualmente se canta com outra melodia. Dando por encerradas as festividades todos rumaram aos seus lares contentes e satisfeitos.

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XIX


4.- Vida Religiosa.

 

4.1.- Oração Comunitária.

 

A zona de Forquilhinha pertencia à paróquia de Nova Veneza, de onde distava 18 km. O caminho para a sede paroquial era sinuoso e lamacento, acompanhando sempre o rio Mãe Luzia. Apesar da grande distância e do péssimo caminho, os moradores, principalmente a mocidade, frequentavam a missa dominical em Nova Veneza.

As pessoas que não podiam ir à missa aos domingos e dias santos, em muitos casos, por falta de animais de montaria, reuniam-se na residência de Felipe Arns, onde rezavam do livro de orações e cantos da diocese de Trier, a que pertenceram os nossos antepassados do Mosela. As orações e cantos eram sempre correspondentes à festa do dia, e, quando não havia festa especial para o dia, rezavam as orações correspondentes a partes da missa. Nos intervalos das orações eram cantados os cantos da festa ou então os cantos referentes às partes da missa, a entrada, o glória, o credo e assim por diante. A epístola e o evangelho do dia, sempre de acordo com a liturgia da Igreja, eram lidos invariavelmente após o segundo canto ou então após o glória. A leitura do evangelho, todos passavam de pé. Terminada a leitura, todos se sentavam e uma pessoa, não a que fazia a leitura, lia as explicações dadas pelo escritor sacro Leonardo Goffini, que todos escutavam com a maior atenção. Assim se procedia aqui na residência particular, como na capela depois de construída, e assim em todos os tempos e lugares da colonização. Graças a estas leituras e com explicações oferecidas constantemente é que os nossos antepassados conheciam a doutrina de Cristo e conservavam, firme e inabalável a sua à fé por quase um século; pois, os poucos sacerdotes existentes raramente e por pouco tempo, um ou dois dias, apareciam nestas colônias abandonadas e dispersas.

 

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XVIII


3.5.- Novamente Escola Estadual.

 

No mesmo tumultuoso ano de 1942, em outubro, foi criada, sem nossa participação, a escola mista estadual em Forquilhinha, com 10, 20 e 30 ano, sendo nomeadas as professoras Laura Luz e Diva Amboni, que reabriram a escola no mesmo prédio. Embora de propriedade particular, fora anterior e arbitrariamente fechado, confiscando-se a chave, e com o mesmo despotismo, foi ocupado. Tinham as professoras recebido ordem de começar as aulas; sem perda de tempo para que os alunos ainda pudessem, apesar de toda a interrupção, da troca de programa e professores, fazer os exames de fim de ano. Esta ordem da Secretaria da Educação e Cultura é prova cabal de que o Governo do Estado estava bem a par do que se passava em nossa escola, i.e., sabia perfeitamente que eram administradas as matérias por ela exigidas e que os alunos se achavam em condições de se submeterem aos exames de fim de ano.

Apesar dos embaraços, o resultado obtido nos exames deu ótima porcentagem de promoções. Este fato também serve de prova irrefutável para desmentir os que diziam que em nossa escola só se ensinava o alemão, como gritava e vociferava o bando de alunos, soltos na praça de Criciúma, na hora em que os presos eram levados da cadeia para o ônibus; perseguia o séquito a guinchar:- "Este é o professor que só ensina alemão", o que deu margem à suspeita que o acontecimento ocorreu por mando de alguém.

No ano seguinte, i.e., em 1943, as mesmas professoras começaram as aulas no prazo previsto pelo Governo, porém já em 5 de abril foi admitida, em substituição à professora Laura Luz, a professora complementarista Carolina Dagostim Paim. Esta permaneceu lecionando em nossa escola até a sua aposentadoria em abril de 1959. Aos 27 de março de 1944, Yolanda Dagostim, irmã de D. Carolina, substituiu Diva Amboni. A escola mista estadual compreendia apenas 3 classes; por isso, em 1944, quando a escola passou à direção das Irmãs, criou-se um curso particular para um 40 ano, sendo as professoras regentes deste curso a Irmã Maria Verônica Cesconeto e auxiliar a Irmã Maria Norberta. Recai nesta mesma época a transferência da escola para o prédio das irmãs construído em 1940 e a demolição do segundo prédio escolar, que com tanto sacrifício e carinho foi edificado em 1925.

Em 1948, o Governo do Estado fundou as escolas reunidas Nilo Sardá, compreendendo do primeiro ao quarto ano. No ano seguinte já funcionou um curso preparatório para os exames de admissão para o Curso Normal Regional, que foi criado pelo Decreto n. 92, de 21 de setembro de 1949. Em fevereiro de 1950, sob a presidência do Inspetor Marcílio Santiago, teve lugar o primeiro exame de admissão, que resultou na aprovação de 10 alunos e 16 alunas num total de vinte e seis. Começou, pois, em 1950, a primeira série do Curso Normal Regional, denominado D. Daniel Hostin, em homenagem ao Bispo de Lajes.

No decorrer dos quatro anos, correspondentes a quatro séries que o Curso Normal Regional mantém, foram aprovados e se fez a formatura da primeira turma do Curso Normal Regional em nossa comunidade, num total de 24 formandos, 9 alunos e 15 alunas.

Com a transformação das Escolas Reunidas Nilo Sardá pelo Decr. N.S.E. 21-05-62/l4l9, foi criado o Grupo Escolar Frei Baltazar, em 1962, em homenagem ao sacerdote franciscano que se projetou na edificação de uma peça anexada ao edifício de 1940. O Curso Normal Regional foi transformado em Ginásio Normal D. Daniel Hostin, no ano de 1964.

Do exposto nos capítulos anteriores e neste, fica bem patente o decréscimo de nossa escola com a sua violentação. Com a normalização e arrefecimento dos ânimos, a nossa escola tomou a evoluir sob a competente

e dedicada direção de nossas progressistas Irmãs e mesmo com a benévola cooperação do Governo do Estado.

Com a criação da escola pré-primária, que se deu em 1966, a nossa escolinha do há muito desvanecido ano de 1915, foi transformada e conta hoje com a escola pré-primária, em que as 33 crianças se adestram para os currículos subsequentes, o Grupo Escolar Frei Baltazar com 11 classes, sendo 3 do primeiro ano com 84 alunos, 2 do segundo ano com 64 alunos, 2 do terceiro ano com 49 alunos e, finalmente 2 do quarto ano, com 58 alunos, num total de 255, uma escola particular correspondente a 50 e 60 anos com 49 alunos, que não pretendendo ou não podendo prosseguir na carreira estudantil, possam levar conhecimentos mais sólidos para enfrentarem a vida de hoje e que, para os que desejam seguir os estudos do segundo ciclo e mesmo superiores, fiquem habilitados para o exame de admissão no curso do Ginásio Normal, existente com 111 alunos nas 4 séries, perfazendo todos um total de 43 meninos e 68 meninas, ávidos de aprender.

Não queremos desmerecer os esforços e colaboração pessoal de cada um em particular e dos respectivos pais; também atribuímos o mérito à nossa escola, em todos os tempos, pelo fato de podermos apontar, entre os filhos deste torrão agraciado por Deus, a bondade infinita, ex-alunos da escola, 18 sacerdotes, entre estes um Bispo, 36 religiosas em diversas congregações e ordens, 14 guarda-livros, 14 professores, entre estes sete lentes do ensino superior, 3 engenheiros, 2 farmacólogos, 1 médico, 3 advogados, 6 odontólogos, 2 agrônomos, 1 veterinário, 6 parteiras e muitos outros em posições relevantes, que estão a servir o Brasil e aos brasileiros. Todos estes, como veremos no capítulo O êxodo, com pouca exceção, com nomes de origem alemã. Cumpre ainda assinalar que se trata de relativamente pequena colônia e que estão apenas incluídos apenas os filhos e alunos de Forquilhinha no sentido mais restrito. Não constam, nesta lista, alunos de outras localidades do distrito ou do município, nem de outros estados da Federação que frequentavam a nossa escola.

 

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XVII


3.4.- Violenta e Convulsionada Transformação da Escola.


 

Desde 1917 até o mês de setembro de 1942, a escola de Forquilhinha era mantida exclusivamente pela União Escolar de Forquilhinha, i.e., com o pagamento das mensalidades pelos pais dos alunos e contribuições espontâneas de outros, para manter os professores. Não foi sem grandes sacrifícios dos pais e dos professores manter a escola particular por vinte e cinco anos. Não se tinha em mira outro objetivo, a não ser proporcionar aos filhos uma boa escola, em que pudessem aprender algo, o que eles, os pais, não puderam obter durante quase um século de permanência no Brasil.

Obedecidas às leis reguladoras do ensino, tanto federais, como estaduais, que exigiam da escola particular fossem ensinados o vernáculo, Português, História do Brasil e Geografia, era facultado o ensino de línguas estrangeiras, em nosso caso a língua alemã. Periodicamente a escola era visitada pelos inspetores escolares do Estado, o inspetor Trindade, que por diversas vezes inspecionou a nossa escola, Humberto Hoffmann e outros. Sempre, após terem examinado a estruturação da escola e os conhecimentos dos alunos nas matérias exigidas, lançavam no livro próprio um termo de visita, dando os maiores elogios da boa marcha da escola e dando diretrizes a serem observadas para o futuro. É de lamentar que também este livro de termos de visita dos inspetores não existe mais por motivos que adiante veremos.

Veio a participação forçada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. No dia após, ou talvez dias após a declaração da guerra, apareceu em Forquilhinha, o delegado, não o delegado regional, investigadores, secretas, policiais e muitos outros do zé povinho, ordenando o fechamento da casa comercial da Sociedade União Colonial, que se abria sempre entre a primeira e a segunda missa, a fim de proporcionar aos colonos a oportunidade de se abastecerem. Obedecida a ordem dada, dirigiram-se rumo à igreja e ao Colégio das Irmãs. Investigaram o terreno em torno da igreja e da casa paroquial ainda em construção, penetraram na igreja e na

casa paroquial, farejando em todos os cantos, subiram à torre em busca não sabemos do quê. O mesmo repetiram no Colégio das Irmãs.

Por volta do meio-dia, voltaram à sede da Sociedade União Colonial, que se achava fechada, mas que era habitada no segundo andar pelas famílias de Alfredo Steiner e Adolfo Back, onde pediram um almoço. Parte da caravana já partira para Criciúma. Alfredo Steiner mantinha na parte térrea a cozinha e a sala de jantar. Aqui lhes foi fornecido o almoço desejado. Após o almoço, o investigador exigiu da gerência o livro de matrícula dos associados da Sociedade União Colonial. De posse do livro, encontrando quase que exclusivamente pessoas com o sobrenome de origem alemã, mas de nacionalidade brasileira, marcada na respectiva coluna, afinal veio a encontrar o único registrado como alemão

Era Antônio Papior, que, depois da Primeira Guerra Mundial, na década de 1930 veio ao Brasil, deixando a família toda na Alemanha, por não ter os meios para trazê-la consigo. Papior era de profissão carniceiro. Depois de ter conseguido emprego na fabriqueta de banha de Gabriel Arns e este ter-lhe adiantado dinheiro, vieram a esposa e dois filhos.

Quando havia matança de suínos, ele trabalhava na fábrica, trabalho este que executava com maestria. Esbarrando o nosso investigado com a nacionalidade "alemã" no livro de matrícula, disse "Lá nós vamos", supondo encontrar uma pista do que procurava. Residia Papior num casebre de madeira no sítio pertencente a Gabriel Arns, onde plantava a sua lavoura, quando não havia serviço de seu oficio. Chegando à morada de Papior, acordaram-no uma boa soneca de domingo de tarde, invadiram a casinha, examinando os armários, caixas e malas, nada encontrando que pudesse pôr em perigo a segurança nacional, deparando porém por cima das linhas algumas tábuas, lá subiram e encontraram velhos jornais alemães, todo empoeirados. Com um "até logo"se despediram.

Na segunda-feira subseqüente, inspetor de quarteirão, Bernardo Kestering apareceu com ordens superiores de fechar escola, levando as chaves. Já a terça-feira, à tarde, estava reservada para as maiores das barbaridades. Dois automóveis com quatro a seis pessoas, não recordamos o exato número, rumaram a Forquilhinha. Primeiro entraram na propriedade de Gabriel Backes, pois que este tinha no terreiro, junto à casa, erguido um poste de uns dez metros de altura, no qual colocou um pára-raios. A haste do pára-raios, no sol reluzente, foi avistada da estrada e precisava ser examinada. Verificado que se tratava de um simples pára-raios, ainda examinaram o interior da casa e nada encontrando de perigoso, foram embora sem mais amolestamentos.

Um automóvel com duas pessoas ficou na casa do professor Jacó Arns. Na busca que fizeram, encontraram uma pequena biblioteca, contendo livros didáticos em alemão, que ele durante os anos de seu magistério, vinte e sete anos, adquirira; foram amontoando os livros e levando para o automóvel. Finalmente, disseram-lhe que devia segui-los, não como preso, mas para a constatação da veracidade do que ele, Jacó, afirmava do conteúdo dos livros.

O outro automóvel rumou diretamente a casa de Papior e prenderam-no, trazendo preso no mesmo automóvel. Passando pela de Ricardo Steiner, não sabemos, por que má sorte,encontraram uma espingarda de caça do tipo mais simples possível, que nem lhe pertencia e que mantinha em sua casa para matar os gaviões que carregavam os pintos do terreiro, e mais um jornal nacional que trazia um mapa linha de frente dos beligerantes na França. Motivo bastante para prenderem a arma de fogo e Ricardo Steiner.

Um dos automóveis conduziu os presos para Criciúma e o outro chegou ao anoitecer à loja da Sociedade União Colonial, exigindo da gerencia a apresentação de uma arma de muitos tiros, como diziam, sem no entanto dar o nome da arma. "Dita arma trazíamos escondida num porão, e em certa ocasião, o gerente mostrara a arma a pessoas de Criciúma, e um pedreiro de Criciúma que aqui trabalhara, um tal José... José", repetia este nome sem dizer o sobrenome, sabia perfeitamente onde se encontrava o porão... e a mortífera arma." Como não existia nem arma nem porão, nada se temia e nada havia para ser entregue. No entanto, ameaçava prender o gerente, aconselhando dizer verdade e entregar a arma; pois, de qualquer forma a arma seria descoberta e então o caso se tornaria extremamente delicado para o gerente. Se gerente continuasse a opor-se à entrega da arma, eles iriam a Criciúma buscar o tal José e que então perderíamos a decantada arma e o gerente iria preso inafiançável. Como o gerente ficava inabalável na afirmativa de não existir arma em porão nem em outro qualquer lugar, começaram a insistir na apresentação do pretenso porão. A insistência foi a tal ponto que, afinal, o gerente se lembrou que havia dentro da loja no assoalho duas portinholas" alçapões que davam entrada para debaixo do assoalho. Um era usado para guardar bebidas para se conservarem mais frescas no verão; pois, geladeira não havia. E a outra não era usada. Naturalmente queriam ver estas entradas, penetrando debaixo do assoalho, que aliás era de pouca altura. Investigaram-nas, farejando aqui e ali, nada encontrando, a não ser algumas teias de aranha

presas nos cabelos.

Visivelmente vexados e com mais e com mais gentilezas, pois que a arrogância fora insuportável, quiseram verificar as residências Alfredo Steiner e Adolfo Back no primeiro andar do mesmo prédio. Os quartos, os armários, guarda-roupas, tudo, enfim, foi visado e revisado e remexido, os colchões das camas removidos, Quando chegaram ao quarto da velhinha, sogra dos ocupantes do prédio, que se achava doente e deitada na cama, invadiram-no, fizeram o mesmo que vinham fazendo nos outros quartos. Visivelmente um tanto envergonhados de nada encontrar do que procuravam, foram embora consternados.

E os nossos três presos, chegando a Criciúma, foram levados imediatamente para a cadeia, sem os submeterem a um interrogatório e sem qualquer justificava da prisão. Estavam os três presos numa salinha desprovida de qualquer objeto de que um ser humano necessita, mesmo o maior criminoso. Era uma salinha talvez suficiente para prender, encerrar os porcos por alguns dias. Após quatro dias de reclusão, Ricardo Steiner foi libertado. Os outros dois, com mais um preso em Criciúma, cujo nome não recordamos, foram conduzidos da cadeia, na hora do meio-dia, em que as aulas foram concluídas e a criançada em plena rua acompanhava os presos, gritando impropérios aos detentos, para a estação do ônibus, onde lhes foi destinado o "galinheiro". Chegando a Florianópolis, foram de imediato levados para o campo de concentração, onde já se encontrava grande número de presos, na maior parte pastores luteranos de Blumenau.

Não pretendemos descrever o campo de concentração nas redondezas da capital; mas, no entanto, podemos afirmar que em parte se assemelhava aos do brutal e demoníaco ditador Hitler. Os campos de concentração aqui preparados é e será mácula em nossa História, onde tantos inocentes foram fustigados por longos meses. A época excepcional não justifica prender a ninguém sem culpa formada ou comprovada, e atormentar e angustiar um ser humano, como foi o caso de nossos presos. Por quatro longos meses os nossos detentos sofreram os maiores vexames, sem que um dia fossem submetidos a um interrogatório para se certificarem da culpabilidade de cada um. Também ninguém lhes disse qual o delito que haviam cometido. No fim de quatro meses, após a festa de Natal, primeiro Jacó Arns e, semanas

depois, Antônio Papior foram libertados e puderam vir para os seus lares. O estado físico de ambos os presos era irreconhecível e durante muito tempo foram incapazes de trabalhar.Muitos dos futuros leitores dessas reminiscências perguntarão:

-Mas, afinal, que motivos levaram a tantas perseguições e molestamentos?

A estes respondemos:

-Inimigos baratos. O delegado de Criciúma, que acompanhou a primeira diligência, a de domingo, longe de ser o nosso inimigo, só pessoas de Criciúma que instigavam as massas e autoridades contra a nossa

comunidade, onde havia muitos descendentes de alemães. A todas essas pessoas não devíamos gratidão nem consideração nem sequer respeito. Um deles comparecera à nossa escola e numa demonstração dos conhecimentos dos alunos em Geografia e História do Brasil, fez grandes elogios referentes ao saber dos alunos. Parte desses atiçadores tinha bastantes relações com o povo de Forquilhinha. Acusavam-nos pelo fato de falarmos e ensinarmos o idioma alemão.  Se houve crime neste particular, o crime não era nosso, mas dos governos que, durante um século inteiro, nos deixaram no abandono em todos os sentidos. Uma ligação direta ou indireta com o país de origem, a Alemanha, não existia e muito menos ainda com a Alemanha de Hitler.

Imaginamos, pois, para terminar este capítulo triste e negro da história de Forquilhinha, quantas pessoas, de todas as origens das redondezas, que hoje se dizem alfabetizadas, passaram pela escola do professor Jacó Arns, nos longos vinte e sete anos de árduos e mal-remunerados trabalhos à testa da escola. Quanto fere a ingratidão o coração de um benfeitor! Amargurado e impossibilitado ao trabalho por muito tempo e, proibido de lecionar nos tempos da ditadura, não podendo assumir a escola que tantos anos dirigiu com carinho e amor, sentia-se oprimido, para por aqui ficar, onde as reminiscências eram amargas. Depois de recuperar-se, decidiu não mais prosseguir por aqui; vendeu todas as suas propriedades e mudou-se com a família para Hulha Negra, nas

imediações de Bagé no Rio Grande do Sul, onde nada lhe pudesse trazer à memória os cruéis episódios de 1942, para lá se dedicar ao plantio de trigo, principal cultura naquela zona. Sua partida se deu em 26 de março de 1946.

O prof. Jacó Arns, apesar de seu gênio agitado, era excelente mestre de escola, profissão a que se dedicava com todo o amor e idealismo e força de vontade, principalmente às crianças do primeiro e segundo anos, que eram de sua preferência.

Cabe ainda ressaltar, entre os tristes episódios de que Forquilhinha foi palco em 1942, o fato de os mencionados investigadores, por diversas vezes, fazerem batidas, até de noite, em diversas residências, mas principalmente na igreja e nos seus arredores. De início não era do conhecimento dos apavorados habitantes desta localidade, mas pouco a pouco se ia descobrindo o que se estava fabulando por Criciúma: é que mantínhamos num subterrâneo, um verdadeiro arsenal de armas de guerra. Pobre Forquilhinha, de cujos moradores nem todos tinham armas  de fogo para caçar os gambás, quando batiam nas galinhas! O porquê das investidas contra a igreja e seus arredores, presume-se pelo fato de ter-se, quando da vinda do Padre Paulo Linnartz, acrescentado o presbitério à nave da igreja, já construída em 1930. Com o declive do terreno por um lado e pelo fato de o altar-mor se achar bem alto, em que sete degraus levavam para o pedestal do altar, ficava uma altura de quase dois metros do assoalho até o chão; surgira a idéia que aquele vão se poderia aproveitar para um depósito para o vinho de missas e mesmo de outros objetos. Essa sugestão fora feita na presença dos pedreiros de Criciúma. Eram os pedreiros Antônio Português, seu filho e outros. Antes de colocar o assoalho, aplainou-se o chão e, após, colocou-se o assoalho, sem que providenciasse uma entrada para o planejado porão. Provavelmente foi este o subterrâneo tão procurado. Como não se encontrou entrada assoalho, foram sondadas as redondezas para encontrar nas imediações uma entrada subterrânea.

Enquanto isto aqui se passava, um filho de Forquilhinha, Adalberto Arns, filho de Augusto Arns, era convocado para ir aos campo de guerra na Itália.

Apavorados e amedrontados e indefesos em todos os lares, sob ordem investigadores, busca de livros; os livros, (até os de orações cantos não eram excluídos), os livros de dados desde a imigração, há mais de um século" também os da fundação de Forquilhinha, o arquivo da escola, tudo, enfim, era amontoado e pesarosamente largado no fogo. Eram estes livros e tudo que foi queimado, objetos de estimação, inocentes e inofensivos. Podemos garantir que nenhum Mein Kampf de Hitler fora queimado; nesta ocasião, por não existir em toda a colônia.

 

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XVI


3.3.- O Segundo Prédio Escolar.

 

O acanhado espaço para as duas salas de aula na primeira casa de escola de Forquilhinha fez com que se viesse a pensar na construção de um prédio mais amplo. No entanto, também se anteviam as dificuldades que um tal empreendimento traria para os moradores de Forquilhinha. Grande parte dos moradores era dos que tinham chegado há pouco tempo e não dispunham de casa própria. A construção da capela apenas terminada e que custou os maiores sacrifícios para toda a colônia e, finalmente, a manutenção de dois professores, embora mal remunerados, tudo isto pesava nas economias de cada um.

A necessidade de espaços mais amplos estava à vista de todos. Mas, diziam uns, não podemos construir, para que dentro em breve fique novamente com falta de espaço. É preciso que construamos uma escola que venha a servir por longos anos; outros, porém eram de opinião de construir mais simples e menor. Sobre estes pontos de vista houve violentos debates nas reuniões, até que se chegou a um acordo. Resolveu-se, pois, levantar um prédio de alvenaria nas dimensões de 11 por 17 m: no centro, no sentido de longitude do prédio, duas portas para as entradas; à direita e à esquerda das portas, paredes de tábuas, formando um corredor com vão de dois metros; as tábuas embutidas de modo a serem de fácil colocação e remoção, para, em ocasião de festas, termos um salão disponível; perto das portas de entrada, nas paredes de tábuas, as portas, que davam entrada do corredor para as salas à direita e à esquerda. Assim, ficamos com duas salas de 7,5 por 11 m de espaço, bem iluminadas e arejadas.

Em relativo curto prazo de tempo, a nova casa da escola estava pronta para ser inaugurada. Em 1925, por ocasião de uma visita do Padre João Stolte, da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, de Tubarão, visitas devidamente autorizadas por S. Ema Revma D.Joaquim, Arcebispo de Florianópolis, (Repetidas vezes nos visitava para atender as confissões na língua materna dos moradores da região), se aproveitou a presença do Padre para inaugurar o novo prédio. Num sermão soube entusiasmar o povo, e este colaborou na festa, e do resultado da festa pagaram-se os gastos da construção. Já dez anos após a inauguração, i.e., em 1935, a matrícula da escola acusava 120 alunos, sendo que muitos dos alunos freqüentavam até o quinto e mesmo até o sexto ano. E obvio que dois professores para 120 alunos, divididos em cinco séries, não podiam, sem prejuízo do ensino, continuar sem que se fizesse novo desdobramento da escola. Era esta a situação da escola, quando no mesmo ano de 1935, voltou da Alemanha o Padre Paulo Linnartz, fazendo-se acompanhar por cinco Irmãs Escolares de Nossa Senhora.

Uma das salas foi repartida em partes iguais, formando assim duas salas de 5,5 por 7,5m. As três classes, ora disponíveis, davam lugar para três professores lecionarem. No mesmo ano, no dia 14 de junho foi constituída a Sociedade União Colonial. Como o professor Back tinha noções de contabilidade, foi convocado para a gerência da nova empresa, cedendo o cargo de professor às Irmãs, ficando, no entanto, lecionando Geografia e História do Brasil até o ano de 1936, inclusive, cumprindo dispositivo da lei que estas matérias fossem administradas somente por brasileiros natos. O professor Jacó Arns permaneceu na direção da escola, e ocuparam as duas outras classes, ora disponíveis, Irmãs Maria Maximília e Maria Adolfina, que às vezes revezavam com a irmã Maria Inigo. Após o ano de 1936, em que o professor Back se afastou por completo, o professor Jacó Arns se encarregou, auxiliado pelas moças Olívia e Erna Arns, do ensino da Geografia e História do Brasil. Assim a boa marcha do ensino não sofreu de continuidade até o ano de 1942, quando o professor Jacó Arns foi violentamente afastado da escola, por motivos mesquinhos durante a Segunda Guerra Mundial, que se encontrava em seu ponto culminante.

 

 

sexta-feira, 1 de março de 2013

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XV


3.2.- Primeiro Desdobramento da Escola.

 

Com a criação da escola particular em Forquilhinha, também se fundou uma sociedade de pais e mestres, denominada União Escolar de Forquilhinha, cujo estatuto foi visados e registrado junto à Secretaria da Educação e Cultura. O Presidente sempre reeleito era Gabriel Arns. O seu tino administrativo fez com que a escola sempre mais se desenvolvia, apesar das dificuldades econômicas que se faziam sentir. Graças a sua habilidade e bom-senso, a escola sempre mais crescia, e Forquilhinha lhe deve gratidão e reconhecimento.

Tendo, pois, o numero de alunos da escola aumentado consideravelmente, tomava-se impossível um só professor vencer os trabalhos do ensino para tantas crianças. Resolveu, pois, a União Escolar de Forquilhinha, durante as férias de fim do ano de 1920, convidar o professor Adolfo Back para aceitar o encargo de um segundo professor da escola. Com o emprego de mais um professor, o prédio da escola foi dividido com uma parede de tijolos, formando assim duas salas de aula, tendo cada uma as dimensões de 3,5 por 6 m. O primeiro e o segundo ano ficaram a cargo do professor Jacó Arns e o terceiro, o quarto e quinto anos para o professor Back.

Os sacrifícios eram enormes, tanto de ordem financeira como de espaço acanhado. Os pais dos alunos, novatos da comunidade, mal para, agasalhados, deviam mensalmente contribuir para com as mensalidades para os filhos que freqüentavam a escola, e os professores eram mal remunerados. O ordenado do professor não atingia, no começo, a cem mil-réis mensais; porém, eram pagos também os meses de férias.

Antes do começo das aulas, em fevereiro, os professores se reuniam para elaborar um programa de ensino para todo o ano letivo. Para todas as matérias das cinco séries, era fixada a tarefa a ser vencida: semana por semana, e lançada no livro próprio. Também era elaborado um horário para cada classe, que era rigorosamente obedecido. No começo do horário semanal, com exceção das quartas-feiras, estavam marcadas as horas de Religião, o ensino da Bíblia, do Catecismo e, aos sábados, orações e cantos sacros. Este programa anual se tomava necessário, pois que não havia, nem mesmo um programa oficial completo e adaptável à nossa escola. Também o programa elaborado para um ano não servia para o ano imediato, devido aos feriados da Semana Santa e outros não coincidirem de ano para ano. E óbvio que o restabelecimento de tal programa anual exigia muitos dias de árduos trabalhos. Este horário tinha a aprovação unânime dos pais dos alunos.

Não se fazia, como hoje é praxe, uma prova mensal das matérias lecionadas durante o mês, mas, sim, uma recapitulação de todas as matérias estudadas durante o ano, repetição esta que se fazia sempre no último mês do ano letivo. No dia do encerramento das aulas da cada ano, os pais eram convidados a comparecerem e se fazia uma prova oral em todas as principais matérias ensinadas durante o ano, e os pais compareciam e era tido como um dia de festa. A promoção do aluno ficava a cargo e critério dos professores. Sobressaíam como as principais matérias de ensino, a Religião, a Leitura, Aritmética, a História do Brasil e a Geografia do Brasil e, para os alunos das últimas séries, também noções do globo terrestre, os continentes, os oceanos, os países com as respectivas capitais, os rios, montes e mares.

Na Geografia, que partia da escola onde os alunos se encontravam, se incutia a idéia do torrão da comunidade, para passar a todo o município em que viviam, para então passar deste aos demais municípios circunvizinhos, e prosseguindo para todo o Estado, em continuação para todo o território pátrio. Não se usavam mapas de início, mas os mapas eram desenvolvidos perante os alunos no quadro negro, método que consideramos mais intuitivo para os alunos. Este método de intuição era usado para toda a Geografia, mesmo a mundial. Estamos convencidos que o êxito alcançado, se não ótimo, seguramente foi bom. Muitos dos nossos alunos que prosseguiram nos estudos, nos ginásios, nos colégios e nas faculdades, com referência à Geografia, nos atestaram que nos exames a que se submetiam para galgar os cursos subseqüentes, recorreram ao que tinham aprendido em nossa escola.

 

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XIV


3.- Educação.

 

3.1.- A Primeira Escola.

 

Os nossos antepassados no Cubatão o no Capivari ficaram abandonados por parte dos governos provincial ou estadual, entregues própria sorte. As estradas, as escolas, tudo, enfim, estava a cargo dos colonos, que resolviam todos os assuntos por seus próprios caprichos. A necessidade da escola talvez já vinha gravada na mentalidade de nossos colonos. Sempre, havendo um grupo de crianças em idade escolar, se cogitava de uma escola; porém, o caso sempre fracassava pelo assunto a que professor ser entregue o ensino.

Quando uma vez por outra apareciam na colônia aventureiros bastante loquazes, eram na opinião de nossos colonos capazes de lecionar na escola desde muito pretendida. Improvisava-se uma salinha e o professor era engajado. Da arte de ensinar e educar um tal professor nada tinha. A brutalidade de uns e o fato de serem beberrões outros faziam com que a escola muito em breve não existisse mais. No entanto, dada a necessidade que havia sempre, tentavam novamente. Assim é que não admira que, naquelas épocas, que felizmente estão bem distantes, o cargo de professor tinha mau conceito entre os moradores da colônia, e professor era sinônimo de vagabundo. Com tantos maus exemplos, de todas as formas se faziam novas experiências.

Um moço de Brusque, Francisco Beli, de conhecimento muito limitado, apenas sabia ler, escrever e fazer contas, o que representa o saber de aluno de terceiro ano hoje, apareceu em São João do Capivari em 1903; freqüentara pequena escola de sua terra. Também foi aproveitado para uma escola que nós freqüentamos. E óbvio que o que não se possui, não se pode dar. Ensinava-nos cantos que, nós, com a nossa infantilidade, cantávamos com o melhor entusiasmo; hoje, porém quando refletimos sobre o texto, nos vem a pergunta: Como foi possível? Tratava-se de canto que chamava a atenção das moças para certos indivíduos perigosos à sua honra. Também, aconteceu que meninos que saíram para os seminários e de lá voltavam com algum conhecimento, eram aproveitados, embora sem curso especializado para ensinar e educar.

Com esses mestres de escola se vinha tendo melhores resultados. Também não era raro o caso em que os próprios pais ensinavam os filhos a ler e escrever, ou então um avô reunia seus netinhos em redor do seu leito para ensinar. Em geral se fazia muito sacrifício para alfabetizar os filhos. Naturalmente ensinava-se a eles a escrever na língua materna; pois, o que não tem, não se pode dar.

A inclinação ao saber e transmiti-lo a outros também se fez presente na recém-fundada colônia de Forquilhinha. Em julho de 1914, o jovem e idealista Jacó Arns, montou o seu cavalo, rumando a Florianópolis em busca de um estabelecimento de ensino que pudesse prepará-lo para o belo, porém espinhoso cargo de professor. Como, no entanto, não existia educandário especializado para a formação de professores, que pudesse deixá-lo apto em curto prazo de tempo, foi-lhe aconselhado ir a Blumenau, onde existia um seminário para a formação de professores, que, em pouco tempo, ficavam habilitados a dirigir uma escola do interior. Este seminário estava sob a direção do inesquecível professor Frei Estanislau Schaette.

Para lá se dirigiu Jacó Arns. O seu talento e amor ao estudo fizeram com que pudesse recapitular todas as matérias ensinadas até então e prosseguir no último semestre de 1914. Nas férias ficou por lá mesmo, aproveitando para mais se aprofundar nos estudos. Matriculou-se no último ano letivo do curso em 1915, conseguindo vencer com distinção.

Em Forquilhinha, soube-se que, no fim do ano de 1915, o professor Jacó Arns se faria presente para assumir a escola. Com apenas nove famílias, a saber João José Back, Gabriel Arns, Felipe Arns, Geraldo Westrup, Adolfo Tiscoski, José Arns, Augusto Arns, Geraldo Back e Bernardo Warmling, quatro ainda sem filhos em idade escolar, puseram mãos à obra da construção da primeira escola em Forquilhinha. As dimensões da escola eram 6 por 7 m, sendo a armação toda de madeira, e os vãos entre os esteios foram fechados com tijolos e rebocados. O serviço de pedreiro foi executado pelo nosso saudoso Pedro João Loch, que já adquirira terras, onde ainda hoje seus filhos as desfrutam.

Terminado o curso de professor provisório no Colégio Santo Antônio de Blumenau, o professor Jacó Arns prestou exames em Florianópolis e requereu para si a Escola Estadual aqui criada. Veio em seguida, acompanhado do Frei Estanislau Schaette, O.F.M. Instalou a primeira escola nos últimos dias de dezembro de 1915. Com os filhos dos novos moradores e dos remanescentes dos antigos, a primeira matrícula da escola recém-criada ascendeu a 35 alunos.

Durante todas as férias de fim de ano, o professor, com o entusiasmo que lhe era peculiar, passou a dar aulas, para no início do ano letivo de 1916 se encontrar com a escola bem encaminhada. Com bom êxito terminou o ano em curso.

Após o Natal de 1916, partiram de Forquilhinha, cavalgando por Braço do Norte, Anitápolis, Teresópolis, hoje Queçaba, Florianópolis, Tijucas, Brusque até Blumenau Jacó Arns e Adolfo Back, o primeiro para aperfeiçoar-se nos estudos, e o outro lá ficar e cursar o seminário de professores do Colégio Santo Antônio de Blumenau. Findas as férias, Adolfo Back lá permaneceu durante o ano de 1917, e o professor Arns retomou à sua escola em Forquilhinha.

Recomeçou o ano letivo de 1917, quando houve campanha política contra a oligarquia de João Fernandes em Araranguá. Como o professor fazia parte da oposição a Fernandes e este venceu as eleições, tratou de vingar-se, exigindo do governo do Estado a transferência do professor para bem longe. O governo do Estado (Vidal Ramos), cedendo ao pedido do velho capanga, removeu o professor Jacó Arns para Três Barras no município de Canoinhas. Todavia, os pais dos alunos, sabendo que o não-atendimento da remoção significava a exoneração do professor, e, satisfeitos com os resultados da escola, não concordaram com a transferência e preferiram ficar privados dos subsídios estaduais para o pagamento do professor. Resolveram criar uma escola particular, contribuindo com mensalidades escolares, e manter o professor.

Na véspera do Natal do mesmo ano, Adolfo Back, junto com mais dois colegas, Adriano Mosimann e Artur Wippel, ambos de pé Brusque, submeteram-se aos exames de professor provisório. Os três candidatos foram aprovados nos exames e nomeados para escolas isoladas. O Wippel foi nomeado para a escola de Guabiruba, sua terra natal; o Mosimann, para a escola de Warnow e Adolfo Back, para a escola de Pomerode, antes município de Blumenau. Os dois primeiros foram ocupar as escolas a eles designadas; o Back, porém, preferiu continuar os estudos e lecionar na escola primária anexa ao Seminário para Professores.

Todos os anos, durante as férias de dezembro e janeiro, retornava à casa paterna, para, no começo das aulas, voltar a Blumenau. Assim, lá permaneceu durante os anos de 1917 a 1920, inclusive. Das viagens de ida e volta, três foram feitas no lombo do cavalo e uma por via marítima, embarcando em Laguna, aportando em Florianópolis, Itajaí para seguir no navio Blumenau no rio Itajaí-Açu acima a Blumenau, e a volta com itinerário inverso.

 

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XIII


2.9.-Sanga do Coqueiro

 

Seria interessantíssimo um estudo de como varia a designação de nomes usados para o mesmo objeto, a mesmíssima coisa, de região a região dentro do mesmo Estado. Esta variação de denominações ainda mais se acentua de estado para estado, de zona para zona.

No Brasil distingue-se a zona Sul, o Centro, o Nordeste, o Norte, o Oeste. Assim acontece que os brasileiros, muitas vezes, não se compreendem, dado o termo empregado divergir nas diversas regiões.

No Rio Grande do Sul e mesmo no Oeste catarinense, todas as espécies da planta tubércula, a mandioca, se denominam com este termo, enquanto nós, do Litoral e mesmo em outros estados, diferenciamos a mandioca propriamente dita do aipim, variedade própria para comer, enquanto o riograndense e no Oeste de Santa Catarina fazem a distinção com mandioca para cozinhar.

Conhecemos o abusivo e molesto pernilongo com este nome; porém, no Norte é denominado muriçoca.

O riacho, o ribeiro, o córrego, o regato, em nossa zona é infalivelmente denominado de sanga. Em nosso distrito, temos a Sanga do Coqueiro, a Sanga do Meio, a Sanga do Engenho, a Sanga do Jacu e, para variar, com o aumentativo temos ainda o rio Sangão. Poder-se-ia alongar estas interpretações com termos que noutras regiões são incompreensíveis ou, quando muito, não usados. Pretendemos reportar-nos à Sanga do Coqueiro, principalmente à parte sul deste ribeiro, onde se formou uma colônia filial de Forquilhinha, hoje conhecida pela colônia de Santa Teresinha, nome dado a esta população, pelo fato de lá ter-se soerguido a capela em honra à Santa Teresinha do Menino Jesus.

A Sanga do Coqueiro tem as suas vertentes na margem direita do rio São Bento, não muito distante da embocadura deste no rio Mãe Luzia. Serpenteando por entre as planícies e colinas, a Sanga do Coqueiro de início dista apenas pouco mais de um quilômetro do rio Mãe Luzia, afastando-se deste gradativamente, assim que, na altura do centro de Forquilhinha, já assinala distância de cerca de 3 km entre os dois rios, tomando daqui um mais acentuado rumo sul e, portanto, afastamento cada vez maior, para se lançar no Rio do Cedro, poucos quilômetros acima da afluência deste no rio Mãe Luzia, que, antes e depois de Maracajá toma o rumo francamente sudoeste, convergindo assim para mais perto do seu competidor.

O curso inicial e médio da Sanga do Coqueiro não se encontra muito distante do centro paroquial de Forquilhinha e, portanto, são os moradores ao longo de suas margens considerados pertencentes a este, porém a parte final apresenta afastamento de mais de 10 km da sede paroquial e distrital.

Os terrenos às margens da sanga, se não são de primeiríssima fertilidade, são bons e se prestam a, todas as culturas.

E evidente que os terrenos com as características acima referidas e descritas foram de imediato cobiçados, adquiridos e ocupados. Na década de vinte para a de trinta, entraram pessoas de Forquilhinha e de outros lugares na zona da Sanga do Coqueiro-Baixa, sendo entre estes os de origem alemã: José Wessler, Paulo Machado, Gregório Westrup, Pedro Steiner, Ernesto Beckhauser, Martinho Kammer, Norberto Sehnem, Matias Sehnem, Francisco Loch, Matias Loch, Augusto Loch, Augusto Ricken e Augusto Schmoeller. Todos se consideram estreitamente vinculados à colônia-mater, no sentido religioso, escolar, político e social.

Inicialmente, sempre que possível vinham todos a cavalo pelas péssimas picadas, aos domingos e dias santos, às funções religiosas, às missas; muitos freqüentaram a nossa escola, alojando-se, neste caso, em casas dos parentes. Nas campanhas políticas acompanhavam ao lado de pessoas com quem tinham mais estreitas amigáveis relações e, finalmente, muitos tomaram parte ativa na Sociedade União Colonial S.A., desde o começo e foram fervorosos colaboradores e defensores desta Sociedade.

Dada a grande distância que os separava da sede de Forquilhinha, é evidente que pouco a pouco conseguiram uma escola pública para a localidade, sendo professora Dona Rosália Loch da Rosa, e também a bela capela de Sant Teresinha, que é fervorosamente freqüentada pela população. Desde 1955 foi-lhes concedida mesa receptora de votos.

A estrada municipal que liga Santa Teresinha ao centro paroquial e municipal, por a longos anos permanecia intransitável para veículos motorizados em tempo chuvoso e só nos últimos anos é que ficou consolidada, dando entrada e saída em qualquer tempo. Talvez anexação do território de Santa Teresinha a novo município de Nova Veneza foi a causa desta injustiça praticada ao povo desta localidade.

 

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XII


2.8.- Desenvolvimento Paralisado.

 

Os pioneiros de Forquilhinha estavam persuadidos de que, uma vez começada a formação de uma nova colônia, outros das velhas colônias do Capivari e do Braço do Norte os seguiriam. No entanto, não foi assim. Todos aqueles que tinham comprado a sua gleba de terra, vieram para ocupá-las, mas nos três primeiros anos, apenas aumentou uma família, a de Felipe Arns, que comprou terras na margem esquerda do rio Mãe Luzia e veio em 1914. Talvez fossem as dificuldades mil que se apresentavam com a transladação de lá para cá, mas o motivo mais provável era a má comercialização dos produtos da lavoura. A única praça para venda era Nova Veneza, para a firma Bortoluzzi, que mantinha pequeno comércio para a região serrana, ou então transportavam de carro de boi, principalmente, arroz e banha, para a estação da estrada de ferro Dona Teresa Cristina em Palmeiras, hoje, Pindotiba.

Quantas dificuldades, quanto dispêndio de tempo e dinheiro trazia um transporte de cargas para tão longe por estradas péssimas, todas esburacadas ou cobertas de pedras. Não se pode hoje avaliar. Este trajeto era o mesmo que nós, vindos do Capivari, devíamos passar. Encontrava-se na estrada longa fila de carros de bois; gritos e mais gritos se faziam ouvir com os pobres bois, que levavam, com extraordinário esforço, para frente a carga, que, aliás, não era de muito peso; pois, se assim fosse, lá não chegariam. Não raro se encontrava um carro atolado, outros quebrados.

Nem sempre se podia vender o arroz que se produzia, ou os suínos para o abate. Pelo primeiro arroz que colhemos aqui em 1912, queriam pagar apenas cinco mil-réis por saca de 51 quilos... e posto em Nova Veneza! Os porcos eram abatidos em casa; extraídos os ossos, eram levados a Nova Veneza a 6 mil-réis a arroba, o que correspondia a 400 réis o quilo. Para miudezas, ovos, manteiga e leite, não havia praça.

De uma feita, conduzíamos com o carro de bois umas trinta arrobas de suínos abatidos; chegamos ao Morro da Miséria, com os bois já cansados, devido à estrada horrível em toda a extensão, e no morro um lamaçal de barro vermelho e endurecido; os bois não puderam arrancar o carro por aquele barro. Fomos obrigados a carregar nos braços os meios quartos, como eram divididos os suínos abatidos, por entre a lama até em cima do morro, colocando-os no capim ao lado da estrada, para então, com o carro quase vazio, subir o morro com os bois e o carro até onde estava a carga, e recolocá-la no carro e chegar até Nova Veneza.

O desenvolvimento de Forquilhinha se achava um tanto paralisado após a vinda das primeiras famílias. Em 1914, entrava para a nova colônia Augusto Arns, que foi um dos primeiros compradores de terras em Forquilhinha, mas que, por motivos de doença, teve a sua vinda retardada, e mais a família de Felipe Arns, pai de Augusto, Gabriel e Jacó. No ano seguinte, i.e., em 1915, veio apenas a família de Carlos Sehnem, que adquiriu um lote de terras fronteiriço ao rio Mãe Luzia, que pertencia de início, por compra de José Canela, a João Backes de São Bento, extremando pela parte sul com terra de João José Back. Outros pareciam não animados a vir, dadas a dificuldades que se apresentavam, aos primeiros moradores.

Entre os moradores antigos das redondezas, havia diversas famílias de origem polonesa ou outra como os Langer, Utenski e Tiscoski. Estas famílias não tomaram ligação direta em todos os empreendimentos, a não ser a família Tiscoski, já citada, na construção da primeira escolinha.

 Como a família Adolfo Tiscoski aqui permaneceu, se multiplicou, tomando parte no desenvolvimento de Forquilhinha é de justiça que se mencione também a sua origem. De acordo com as informações verbais suas, Adolfo Tiscoski era alemão nato da Prússia Oriental. Após o seu casamento com Alvina Sauer na Alemanha, emigrou para a Polônia, onde tomou o nome Tiscoski; pois, o seu nome na Alemanha era Adolfo Rosner e ambos, ele e ela, eram protestantes. Emigraram para o Brasil, ainda no fim do século XIX, com outros imigrantes na zona de Nova Veneza, de onde veio para cá. Com seu filho homem mais velho, Eduardo, quando este tinha a idade de 12 anos, se ocupava só com serrar madeira a braço em toda a região e até em cima de serra. Os filhos, assim como vinham nascendo, eram batizados de acordo com a religião dos padrinhos. Quando os padrinhos eram católicos, o filho era batizado na Igreja Católica. Dois filhos de Adolfo Tiscoski nasceram em Forquilhinha antes da chegada dos pioneiros: Frederico e Luís. Ambos se integraram na comunidade.

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - VII


2.3.- À Procura de Novas Terras.

 

No ano de 1910, um grupo de homens, João José Back, Geraldo e Gabriel Westrup, os irmãos Guilherme e Francisco Back, Gabriel Arns, os dois últimos ainda solteiros, todos do Capivari, resolveram fazer uma viagem à colônia de São Bento, no então município de Araranguá. Tal resolução exigia muita intrepidez; pois, tratava-se de, por péssimos e desconhecidos caminhos, transpor montes e rios e cavalgar por três dias, nem sempre achando hospedagem para comer e pernoitar.

O alvo dessa viagem era duplo, visitar os parentes que lá residiam e também procurar terras para comprar; pois, para moradores do Capivari, que sempre ocuparam terrenos acidentados, as planícies continuavam a ser um atrativo. Após terem visitado todos os parentes em São Bento e com os terrenos desta localidade todos ocupados, dada a sua extraordinária fertilidade e também por se tratar de área relativamente pequena, os nossos pioneiros resolveram ir à frente à procura de boas terras. Em São Bento se juntaram mais duas pessoas ao grupo, Gabriel Backes e Jerônimo Michels.(Apenas Gabriel Backes ainda se conta entre as pessoas vivas.)

Muniram-se de víveres para alguns dias de permanência nas matas virgens, de um pequeno aparelho, bússola de bolso, indicador dos rumos norte e sul, três bons cachorros e lá se foram os nossos exploradores das matas virgens. De São Bento se embrenharam pelas matas rumo ao Rio do Cedro, descendo por este, para então se aprofundar mais na selva.

Chegando a noite, os nossos pesquisadores se achavam não muito distantes do Rio Morto. Procuraram árvores grossas com raízes salientes para se abrigarem de eventuais ataques de feras ou dos índios. Como se achavam cansadíssimos da marcha de um dia todo, adormeceram. Por pouco tempo, porém; pois, os cães começaram a latir apavorados e com barulho infernal, presságio de perigo. Naturalmente ninguém mais pôde dormir com o ladrar dos cães e com a iminência de perigo de agressão. Na manhã seguinte puderam ver pelas pegadas que uma onça andara rondando-os durante a noite. Dada a canseira da caminhada do dia anterior e de noite mal dormida, parte da caravana, os mais tímidos, desejavam retroceder; outros queriam prosseguir. Finalmente, resolveram tomar o rumo sul.

Nesta caminhada, chegaram ao Morro Bodoque. Subindo-o em parte e trepando em árvores para se orientar, viram à sua frente em rumo leste uma imensidão de selvas, que se estendiam até Maracajá, antiga Morretes, ao longo e além do rio Mãe Luzia. Viam em sua frente grande trecho de mato de cor parda, sinal de terrenos úmidos e, mais além, mato de um verde-escuro em rumo sueste, indicando passar por lá um rio que devia ser o Rio do Cedro, que haviam atravessado no dia anterior. Resolveram, pois, girar o rumo, que vinham seguindo naquela manhã em 90 graus, seguindo, portanto, o rumo do nascer do sol.

No primeiro dia, um dos companheiros, Francisco Back, felizmente o mais magro e leve, machucara um pé e durante a noite inflamou assim, que sofria grandes dores e com grande dificuldade conseguia caminhar. No prosseguimento do rumo traçado, entraram no trecho de terreno úmido, que avistaram do monte. Onde havia muita água, o doente era carregado por um dos companheiros, assim também na travessia dos riachos e rios. Apesar da fadiga da marcha esforçada pelas matas, de noite mal dormida, não perderam os nossos pioneiros o bom humor. Nas travessias dos rios, o doente era carregado por Gabriel Westrup, que sempre bancava o São Cristóvão. Aquele abraçava este pelo pescoço e suspendia as pernas para não tocarem na água. Quando a água era bastante funda, ameaçando alcançar o cavaleiro, o carregador fingia a profundidade de água cada vez maior. Chegando ao Rio do Cedro, seguiram por este em rumo à sua embocadura no Mãe Luzia. Ali já existiam alguns moradores.

Não satisfeitos com o que viram nesta marcha de três dias por entre as matas e sabendo da fertilidade do terreno nas margens do Manuel Alves; pois estava presente João José Back, resolveram pesquisar também este vale tão decantado. Seguindo, pois, pelo Rio Manuel Alves acima, já encontraram comprado todo o terreno e moradores, embora, em toda a extensão, muito dispersos, ocupando já parte do terreno até onde hoje está localizada a cidade de Meleiro. Contrataram um caçador conhecedor de toda a zona das vertentes do rio Manuel Alves. Os nossos pioneiros penetraram novamente pelos matos, chegando até ao Rio Morto, não muito longe de onde estiveram no fim do primeiro dia. Voltando até o local da partida com o caçador, rumaram em direção ao rio Jundiá, descendo por este até a sua foz e, portanto, não muito longe da cidade de Araranguá. Cansados e um tanto desiludidos, com os pés arranhados e feridos, pois que todos andavam descalços, puseram-se de volta pelas picadas ao longo do rio Mãe Luzia acima, chegando a São Bento, de onde haviam partido.

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - XI


2.7.- A Mudança.

 

Afirmação popular diz:- Duas mudanças consecutivas equivalem a um incêndio total da habitação. Consideram-se os grandes gastos e dispêndios de tempo, arranjos que devem ser abandonados e adquiridos para a nova morada e muitos outros inconvenientes trazidos com a mudança de lar. Talvez queira parecer-nos um tanto exagerada esta asseveração. Quando, porém, se trata de translação para longe em que não é possível levar, sem grande dispêndio de tempo e dinheiro, os móveis e muitos outros bens, e que se toma necessária à venda de tais objetos e adquiri-los para a nova morada, a afirmação se toma verdadeira. Quando se toma necessária à venda, não se encontra comprador e só compram se o preço é muito aquém do real. Assim foi o nosso caso. O terreno com todas as instalações, os móveis e muitos outros objetos, que não era possível levar, foram postos à venda e se conseguiu colocá-los por fração do valor real.

Capivari, São Martinho, São João, de onde vieram os fundadores de Forquilhinha, dista no máximo 150 km. A mudança era feita com cargueiros e animais de montaria, o único meio de transporte e locomoção viável naqueles tempos. Em muitos casos se fazia também o percurso a pé. Conduziam-se algumas vacas leiteiras e bois para tração do arado. Quando a viagem corria sem maiores acidentes, gastavam-se cerca de quatro dias.

 Mas também tomamos parte da mudança de Carlos Sehnem. No fim do primeiro dia da caminhada, chegamos a Gravatal. Durante a noite desabou chuva muito forte e assim continuou a semana toda, sem possibilidade de prosseguirmos a viagem. O gado e os animais, fomos obrigados a recolher em outro potreiro; pois, o primeiro ficou todo inundado. Quando a chuva cessou, depois de uma semana, o prosseguimento não era possível, devido ao alagamento dos caminhos pelos rios transbordantes. Só após quinze dias, chegamos, Forquilhinha.

Dos pioneiros de Forquilhinha, aqui chegou primeiro José Arns e, dias após, João José Back, Gabriel Arns e Geraldo Westrup. Bernardo Warmling, considerado como pioneiro do núcleo de Forquilhinha, era um dos componentes que, vindos do Braço do Norte, fundaram o núcleo de São Bento; mas dada a sua adesão a Forquilhinha em todas as iniciativas, foi considerado merecidamente um dos cinco pioneiros desta localidade. A data exata em que os primeiros moradores deram entrada em Forquilhinha, não sabemos, só a de João José Back, que foi no dia 15 de abril de 1912.

Nenhum dos primeiros moradores tinha casa própria, e alugaram nas imediações uma casinha para se abrigarem, até que, com sua estada permanente, construíram nos seus terrenos a casa própria. João José Back alugou uma casinha no terreno hoje pertencente a Dionísio Nuernberg e que fora habitada por João Cuba, russo que estava de saída. Nesta casinha, no dia 13 de fevereiro de 1914, nasceu a primeira criança dos novos moradores de Forquilhinha, que recebeu no batismo o nome de Apolinário Back e que hoje, na Ordem dos Franciscanos, atende por Frei Jerônimo, filho de João José Back e Isabela Westrup Back.

Por ocasião da chegada na nova morada, se fez ouvir os estalidos dos foguetes; mas as filhas já moças, vendo em seu derredor só capoeiras e uma casinha de madeira, com lágrimas nos olhos, exclamaram:- Vale a pena atirar foguetes por tudo que nos é dado ver!

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - X


2.6.- As Primeiras Lavouras.

 

No mês de agosto de 1911, a fim de vir ocupar os terrenos comprados dos irmãos Canela, Geraldo Westrup e João José Back, com os filhos Geraldo e Adolfo, vieram do Capivari, trazendo alguns cargueiros, com ferramentas, víveres e roupa de cama e tudo o mais, necessário para começar as primeiras lavouras. Gabriel Arns, que ainda era solteiro e também adquirira do mesmo terreno, não veio trabalhar no terreno por ele comprado, mas foi trabalhar e desmatar o terreno comprado, por seu irmão Augusto, que, por motivo de doença, não pudera vir.

Havia no terreno comprado dos Canelas, mais ou menos onde hoje mora Hilário Michels, uma ranchola coberta de palha e as paredes de pau a pique, todas esburacadas. Este rancho tinha sido ocupado até a nossa vinda por pessoas intrusas. Estas mantinham soltos alguns porcos, que comiam o milho atirado a eles na entrada do rancho. E claro que os suínos comiam o milho, reviravam a terra, formando enorme lamaçal na entrada da ranchola. Ali devíamos entrar e sair por quase dois meses. Fez-se a remoção de parte da lama, colocando paus roliços. Por cima deles entrávamos e saíamos muitas vezes durante o dia. No interior do rancho, o chão era úmido; pois, as águas não podiam escorrer e tínhamos um tempo muito chuvoso, de sorte que nada se podia colocar no chão. Improvisamos tarimbas para as camas e para as roupas e lombilhos, etc. Cozinheira ou cozinheiro, não havia. Sabíamos apenas cozinhar feijão. De manhã, antes de irmos ao trabalho da lavoura, se preparava uma panelada de feijão com um bom pedaço de charque, a panela pendurada num gancho e bastante fogo. Antes do meio-dia se rechegava a lenha e de meio-dia e à noite se comia à feijoada. O pão de milho era feito em São Bento pela boa e inesquecível tia Teresa, de onde se ia buscar quando estava para terminar a provisão anterior. Trazer o pão de São Bento estava garantido, quando o rio dava passagem a cavalo, mas muitas vezes o rio estava cheio e não havia outro meio de lá chegar.

O rancho estava dividido em dois compartimentos. Um servia de quarto de dormir para todos e o outro era a cozinha. Quando alguém queria mudar de roupa, os demais iam para a cozinha. Tocando no entanto, a vez de mudar de roupa ao tio Geraldo Westrup, espírito alegre, mesmo que já tivesse mudado de roupa, começava a gritar:- "Não venham para cá; pois, está mesmo no mais perigoso!"

Durante os dois meses que aqui permanecemos, plantamos milho e batatinha e fizemos a derrubada de mato para milho e arroz. No começo de novembro tomamos a voltar para a queimada da coivara, limpeza, plantação e capina das lavouras já plantadas. Por três vezes consecutivamente fizemos a viagem de ida e volta do Capivari para então decidir-nos a fazer a transmigração da família toda para cá.

A convivência com o povo nativo se desenvolvia, de modo geral, sem colisão e lutas. Eram sinceros e afetuosos, não admitiam, porém desaforo. Andavam sempre, principalmente nos ajuntamentos, armados de arma de fogo e uma espada de 70 a 80 cm de comprimento, com guarnição de cabo, que traziam pendurada na alça da bainha a balançar na cinta e à vista de todos. Era hábito e não má-fé. Quando, no entanto, havia entre eles desavenças, o caso ficava perigoso, faziam uso das armas e não raro aconteciam os homicídios. Os últimos focos de tais brigas foram às localidades de Santa Rosa e Sanga do Engenho. Neste último lugar, houve discórdia em que ficaram três mortes e muitos, gravemente feridos. O pior era a vindita que se seguia a tais casos, e muitos tombaram nas tocaias.

 

 

 

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - VIII


2.4.- Compra de Terras em Forquilhinha.

 

Já que pelo lado em que incursaram, não encontraram terrenos de extraordinária qualidade ainda não ocupados, foram aconselhados irem ver os terrenos nas margens do rio Mãe Luzia, logo após a afluência do rio São Bento.

De fato foram também examinar estes terrenos e, embora não fossem terra de especial qualidade no conjunto todo, havia parte de muito bom agrado. Havia, pois, cerca de 3 km abaixo da foz do São Bento, uma área de aproximadamente 690 ha à venda. A configuração do terreno era bastante imprópria para os moradores que para lá viessem. O terreno tinha as seguintes dimensões: frente, 1.132 m e, de fundos, mais de 6.000 metros. O problema era como dividir esta área assim, que todos os interessados viessem a se estabelecer na margem do rio. Estavam interessados na compra Gabriel Arns, Geraldo Westrup e João José Back. Ainda se associaram na compra dois moradores de São Bento, José Michels e João Backes. Acordadas entre os companheiros a divisão do terreno e a área que cada um tomava a si, compraram o terreno. O terreno pertencera aos dois irmãos, Amaro e José Canela, de Nova Veneza, sendo que os 568 m de frente, na parte norte pertenciam a José Canela e os restantes 564 m, com todos os fundos, variáveis, a Amaro Canela. Na parte de cima com 6.000 m e na parte de baixo com aproximadamente 6.500 m de fundo.

Pouco tempo depois, José Arns e Augusto Arns adquiriram um terreno na margem direita do rio São Bento, junto à embocadura no Mãe Luzia, todo coberto de mata virgem.

Estava assim dado o primeiro passo para o novo rumo que tomaria a colônia de Forquilhinha.

História de Forquilhinha : Por Adolfo Back - IX


2.5.- Origem do Nome Forquilhinha.

 

Havia então no contorno do atual distrito de Forquilhinha, do município de Criciúma, no Sul do Estado de S. Catarina, em ambas as margens do rio Mãe Luzia, muitos habitantes, na maior parte intrusos que ao longo do rio desmataram quase toda a extensão, principalmente, da margem esquerda. Viviam em casebres, alimentando-se principalmente da caça e da pesca. Terrenos ocupados com lavoura eram muito poucos e, quando havia, eram pequena lavoura de milho. Potreiros cercados e limpos, não havia. O gado andava a solta pelas capoeiras, procurando aqui e acolá capim e ervas para se alimentar. Os terrenos pertenciam a grandes latifundiários. Na margem esquerda do rio Mãe Luzia, em toda a extensão da localidade da Forquilhinha de hoje, pertenciam aos Colados de Tubarão. Esses habitantes primitivos, quase todos analfabetos, é que denominaram impropriamente a localidade de Forquilhinha. A palavra primitiva é forca e forquilha, o diminutivo. Havia e há ainda hoje, na afluência do rio Mãe Luzia no rio Araranguá, uma localidade denominada Forquilha e,. como no território de Forquilhinha, aflui o rio São Bento no rio Mãe Luzia, passaram o diminutivo forquilha para mais um diminutivo, que resultou em Forquilhinha.